Mãos
cheias de sangue
Marco Roberto Junior
Com suas mãos cheias
de sangue.
O corpo esquartejado
ali na sala.
Era uma cena de filme
de terror.
Não tinha necessidade
de assim ser.
O tamanho de seu corpo
cabia em uma mala.
Não havia necessidade
para esquartejar.
Não havia necessidade
para matar.
Tinha só sete anos,
chorava
Pois não tinha o que
comer.
Faziam quatro dias
desde a última
Vez que colocara um
pedaço de pão no estomago.
Não se sabia o que
fazer,
Não tinha de onde
comida arranjar.
O jeito foi mata-la
antes que a fome a matasse.
Antes que sofresse mais
do estava.
Só que seu corpinho
cabia em um saco plastico grande.
Não tinha um porque
esquartejar.
Mas foi a escolha.
E logo assim que acabou
de o corpo ensacar,
Cortou sua própria
jugular. Jorrava sangue pra tudo
Que era lugar.
Com suas mãos cheias
de sangue,
Sangue de morte.
Que não mais sairiam.
Morreu...
Pelas mãos de sua mãe,
Pela fome,
Pela doença da
miséria.
Morreram.
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