quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Mãos cheias de sangue
Marco Roberto Junior


Com suas mãos cheias de sangue.
O corpo esquartejado ali na sala.
Era uma cena de filme de terror.
Não tinha necessidade de assim ser.

O tamanho de seu corpo cabia em uma mala.
Não havia necessidade para esquartejar.
Não havia necessidade para matar.

Tinha só sete anos, chorava
Pois não tinha o que comer.
Faziam quatro dias desde a última
Vez que colocara um pedaço de pão no estomago.

Não se sabia o que fazer,
Não tinha de onde comida arranjar.
O jeito foi mata-la antes que a fome a matasse.
Antes que sofresse mais do estava.

Só que seu corpinho cabia em um saco plastico grande.
Não tinha um porque esquartejar.
Mas foi a escolha.
E logo assim que acabou de o corpo ensacar,
Cortou sua própria jugular. Jorrava sangue pra tudo
Que era lugar.

Com suas mãos cheias de sangue,
Sangue de morte.
Que não mais sairiam.
Morreu...

Pelas mãos de sua mãe,
Pela fome,
Pela doença da miséria.
Morreram.





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