sábado, 3 de dezembro de 2016

Caçamba de lixo
Marco Roberto Junior



Em um caçamba de lixo ali está.
Sangue saindo pela cabeça.
Olhos abertos.
Coração parou de pulsar.

Em meio a garrafas pet,
Frascos de remédios,
Caixas de pizas,
Caixas de chiclete,
Embalagem de presente.

Com uma arma na mão,
Sua vida foi ao fim.
Tinha tudo para poder ser um vencedor.
Mas escolheu o caminho mais rápido.

Foi em uma caçamba de lixo, pois ali
Ninguém o iria impedir.
Com seus 13 anos e a arma do pai.
Deu fim a própria historia.

Chegou ao fim uma curta vida de solidão.
De sofrimento que só ele podia sentir
E ninguém conseguia compreender.
Foi-se para não ter mais de chorar.

A solução encontrada,
O resultado esperado.
A dor encerrada.
O sangue jorrado.

Seu corpo alguém encontrará.
Seus pais irão saber.
Irão chorar.
Irão se perguntar.
Mas poderiam tê-lo ajudado.

Largaram ele de mão.
Não perceberam que estava a sofrer.
Não viam as lágrimas em seu olhar.
Agora choram a vida que se foi.

Em uma caçamba de lixo está,
Sua cabeça sangrando.
Em sua mão a arma de se pai.

Fez o que tinha de fazer.

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