sábado, 24 de maio de 2025

Caminhava

                  Marco Roberto Junior

Caminhava para um abismo sem fim.

A caminhada era longa, estava só e chovia.

A solidão me acompanhava por muto…

Os pés estavam doídos.


Cair no chão e não consegui levantar.

Chorava de tão tamanha dor.

A dor do abandono,

Do desprezo alheio.


Passou um tempo.

A Lua no céu apareceu,

Envolta em nuvens cinzas.

As estrelas estavam tímidas.


Coração acelerado,

Sudorese nas mãos.

Respiração ofegante,

Vida parecia que ia.

Mas que vida?


Choveu…

Disfarçou o meu chorar.

Minha dor veio consolar.

Alma sofrida….


Gritei de dor,

Um grito que de muito longe pode se escutar.

Expus a minha tão tamanha dor.

Dor de uma vida inteira….


Meu coração parou,

Pude enfim viver.

Lembro daquele olhar…

Lembro do abraço…


As lágrimas começavam a parar.

Soluçava devido ao chorar.

Me levantei…

Fiquei de pé….


Fui em caminho contrário ao abismo.

Já não sentia mais dor…

Podia sorrir.

E a vida?

Pude enfim viver…