domingo, 17 de maio de 2026

 

Lágrimas

Marco Roberto Junior

 

 

 

 

Lágrimas ao anoitecer.

Dor sufocada querendo sair.

Gritos que o silêncio interrompe.

Só um abraço basta.

 

Passa o dia atribulado.

Mensagens pedindo um monte de coisa.

Informações adversas.

Tribulação despejada em você.

 

Nenhuma mensagem perguntando

Se está bem.

Ninguém, se importando se ainda vive.

Solidão vivida no meio de uma multidão.

 

O sol ilumina o caminho a percorrer.

Seu lugar está sempre no mesmo lugar.

A sombra não refresca.

Os olhos não podem fechar.

 

Sonhos que tivera na infância.

Desejos que o vento levou.

Sangue jorrado que não volta mais

 

Ninguém a esperar.

O abraço que nunca terá.

O luto que eternamente viverá.

A vida que nunca terá.

 

O segundo que parou.

O choro que a criança deu.

A mão que ninguém segurou

 

O adeus que ninguém queria dar.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

 

Noite

Marco Roberto Junior

 

 

 

Cai do céu o orvalho da noite.

O casal faz juras de amor.

Os morcegos saem pra se alimentar.

A vida prossegue do lado de lá.

 

A criança ora com sua mãe antes de dormir.

Outras dormem para a fome não sentir.

Muitos aproveitam o momento pra poder chorar.

Alguns de joelhos, outro com a cara no travesseiro.

 

As estrelas de longe nada veem,

Pois são seres mortos.

A Lua enfeitiçada pelo Sol,

Fica a desejar o encontro que nunca ocorrerá.

 

O cachorro se acalma, pois está perto de quem ele ama.

As folhas dançam na brisa.

O coração pode descansar.

 

Orações repetidas.

Salmos lidos em voz alta.

Louvores a entoar.

 

Sonhos que nunca acontecerão.

Esperança de vida ter.

Mais uma noite em vários locais.

 

O sinal fica vermelho.

Hora de parar.

Aguardar o Sinal ficar verde

Para enfim poder prosseguir.

Hora do sono sagrado.

Desligar a mente.

Está em um local onde o amor é tudo o que há.

 

O abraço que não veio,

O amor que não recebeu.

A vida que não viveu.

 

Amanha o Sol voltará.

Novo dia, nova chance.

O sinal, vermelho, voltará a ficar.

 

 

Silêncio

Marco Roberto Junior

 

 

 

E enfim veio o silêncio.

A música parou,

As luzes foram apagadas.

 

E assim durou por um mês.

Por tão tamanha paz

Em que se encontrava o ambiente,

Muitos começaram a estranhar.

 

Veio o primeiro e bateu no portão.

Aguardou por um tempo,

Mas desistiu de esperar.

 

Veio o segundo e insistiu.

Mas sem sucesso e se foi.

Veio o terceiro e mais tempo ficou a esperar.

 

Passou o tempo e ninguém havia que

A paz pudesse interromper.

O portão foi aberto.

Todos ficaram a olhar.

 

Entraram pessoas.

Ficaram um tempo.

A paz foi interrompida.

 

As pessoas que entraram saíram.

Junto estava quem dentro já se encontrava.

Saiu carregado e com o rosto coberto.

 

Houve choro e uma interrogação

Em cada um que assistia.

 

O silêncio reinou onde havia de reinar.

domingo, 10 de maio de 2026

 

A morte de longe nada podia fazer.

Marco Roberto Junior

 

 

 

 

Faz frio...

Começou a chover...

Não há lugar pra ir.

 

A lágrima de hoje,

Foi liberada ontem.

Não há ninguém que,

Por aqui passe.

 

Os dias se vão longos.

A inocência se perdeu no instante do respirar.

Os olhares não são mais os mesmos.

A morte, de longe, tudo assiste sem poder intervir.

 

Forças não existe mais.

Urubus só comem carniça.

Tempo que prossegue o seu seguir.

 

Veio o Sol,

O calor que emanava dele aqueceu...

O chão secou.

O sorriso da criança voltou.

 

A café a mesa foi servido.

O pão a padaria forneceu.

Todos comem para mais um dia viver.

 

A alma necessita descansar.

O coração precisa parar.

A mente desligar.

 

Olham pela janela para o tempo ver.

As folhas caídas no chão.

A história que tem de continuar.

 

Esmolando por vida,

Ali está.

Sentado no chão.

Esmolando pra saber o que é viver....

 

A morte de longe, nada podia fazer...