domingo, 28 de setembro de 2025

 

“Ninguém” costumava estar

                             Marco Roberto Junior

 

 

 

 

Estava ali o tempo todo.

Ninguém nem se quer olhava.

Todos olhavam para todos os cantos,

Menos para onde estava.

 

Caminhavam com pressa,

Falavam de suas vidas vazias.

Se importavam com o botão da calça rasgada que não fechava.

Com o sapato, que nem mas existia.

 

Ignoravam sua existência.

Não notavam que ainda estava a respirar.

Passavam do seu lado,

Mas não paravam pra lhe olhar.

 

A fome lhe maltratava.

O frio era sua companhia.

A solidão, sua única forma de viver.

 

Cai ao chão,

Todos ignoram sua condição,

Pisam por cima e prosseguem.

Mas falam em compaixão.

 

Fingem se importar com o próximo.

Mas o próximo é sua sombra.

Começa a chover,

Começa a chorar...

 

Não mais está quem ninguém sabia que estava.

Todos estranham, não ter quem ignorar.

Aparece uma menininha,

E coloca uma rosa no lugar onde “ninguém” costumava estar.

sábado, 27 de setembro de 2025

 

E mais uma vez o dia se finda...

                                                      Marco Roberto Junior

 

 

 

 

E mais uma vez o dia se finda...

Tristezas vividas permaneceram na memória.

Lembranças de um dia triste,

Pulsa ainda o coração....

 

A Lua, linda está.

Prossegue redonda e branca,

Mas o branco é a junção de todas as cores.

Goteja orvalho sobre as flores.

 

Um novo dia há se surgir.

Coração prosseguirá a pulsar.

Cérebro, insistentemente lembrará.

Descansa...

 

Os olhos não se fecham.

A angústia atormenta o ser...

A respiração está acelerada.

Aperta o play, pra música tocar...

 

Escuta-se um grito.

Alguém está a cantar.

O relógio para,

A Lua não se consegue ver.

 

Faz-se silêncio...

Uma semana se passa...

Vão em sua porta bater...

 

quinta-feira, 25 de setembro de 2025

 

Anoiteceu!

                                                                                    Marco Roberto Junior

 

 

 

 

Anoiteceu!

A Lua estava linda a observar...

A Menina chorava sem parar.

A água jorrando até o balde encher.

 

Ouvia-se de longe uma melodia.

Essa canção falava amor.

De dor.

De só mais uma pessoa que estava a viver.

 

Fechou os olhos,

Pode enfim orar.

Desligou-se do mundo exterior.

Era só ela e Deus!

 

Pisou na poça.

Molhou os sapatos.

Tinha água nos pés.

Começou a ventar...

 

Vagalumes iluminavam o caminho.

Carros transitavam sem parar.

Todos tinham medo do desconhecido.

Prosseguia ela, firme, no seu orar.

 

Seus cabelos começam a mexer.

Alguém está a lhe tocar.

Prossegue de olhos fechados.

Volta a chorar...

 

Escuta uma voz a lhe falar...

Lá do alto, prossegue a Lua

Tudo assistir.

Parou seu caminhar,

tirou o sapato, para os pés tentar secar.

 

Passa um tempo...

Abre os olhos e pode contemplar...

A vida que lhe era ofertada.

A morte que lhe deixava.

 

Seca mais ou menos os pés e volta a caminhar.

A Lua chora...

Começa a chover...

Não há onde se abrigar.

 

Agora tem Vida!

Pode enfim respirar...

Sabe que alguém lhe quer bem,

Que existe quem sempre irá lhe amar.

 

Caminhos se cruzam,

Tempos se vão.

As mãos podem se encontrar,

Ou não.

 

Agora dorme, tem Vida pra viver.

Mesmo com os pés, meio molhado,

Continua o caminhar.

Mesmo com as adversidades, persiste na chegada.

 

 

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

 

Acordei!

                Marco Roberto Junior

 

 

 

 

Acordei!

Mais um dia pra se respirar.

Ingerir nos pulões esse ar poluído.

Me intoxicar com a Vida.

 

Pulsa meu coração,

Bombeando sangue para o resto do corpo.

 Sangue contaminado dos produtos químicos postos na comida.

Só mais um dia...

 

Levanto da cama,

Câimbra sinto.

Ossos começam a doer.

Demora, mas fico de pé.

 

E a rotina prossegue.

Abro a geladeira e na da tem.

Água foi cortada a uma semana.

Eletricidade? Pra quê?

 

Sorrisos falsos.

Disfarces de uma vida miserável.

Dói a sola do pé...

Prossigo no caminhar a sorrir e cantar.

 

Sangra o caminho.

Pegadas todos podem ver.

Ninguém há que possa socorrer.

Vida? Pra quê?

 

Todos estão a observar...

Muitos a julgar...

Ninguém pra lhe abraçar...

 

Cai uma lágrima...

Lhe veem ela derramar.

Mas ninguém tem nada com essa dor.

 

Setembro Amarelo!

Posts contra o Suicídio em redes sociais.

Mas prossegue só com a dor.

Não há ninguém a se importar.

 

É nítido em seu olhar.

No seu viver.

Pegadas espalhadas estão.

Sangue de dor.

 

Agora choram...

Seguram sua mão...

Ajudam a lhe carregar...

terça-feira, 9 de setembro de 2025

 

Vida...

                        Marco Roberto Junior

 

 

 

 

 

Seu sorriso clareou o ambiente.

Por onde ela passava, uma Rosa Branca botava.

Havia vida onde ela estava.

Sua alegria fazia o cadáver gargalhar.

 

Sua tristeza escondida,

Ninguém ousou ver.

A Lua era testemunha...

Sorria sempre para afastar a escuridão.

 

Seu trajeto era mais belo.

Todos queriam com ela estar.

Todos a queriam abraçar.

Sua beleza trazia paz...

 

Sua presença dava vontade de viver.

Era uma felicidade tamanha, que não se podia explicar.

Rodava ela até tonta ficar.

Brincadeira de criança?

 

Seu olhar brilhava de um jeito diferente.

Todos desejavam sua presença.

Coração, só fazia sentido pulsar se ela estivesse no recinto.

 

E começou a dançar....

Caia sobre ela, o orvalho da madrugada.

Seus cabelos ficaram molhados.

Era a vida que se almejava ter.

 

E de repente, apagaram-se as luzes.

O ambiente ficou escuro.

Começou-se a ouvir uma música,

Era ela cantarolando.

 

E voltou a iluminação,

Somente no local onde ela estava.

Em meios as trevas, só de podia ver e ouvi-la.

A Vida voltou...

 

O morto ressuscitou,

O paralitico começou a caminhar.

O doente são ficou.

Ninguém parava de, pra ela olhar.

 

Bateu um vento,

Seus cabelos balançaram.

Seu vestido mexeu na bainha.

Prosseguia a dançar.

 

Vida...

 

 

sábado, 6 de setembro de 2025

 

Fechou os olhos

                                                                      Marco Roberto Junior

 

 

 

 

Toca o despertador às 05:00h,

Levanta ela.

Escova os dentes e vai tomar banho.

Pega seu vestido amarelo, seu sapato preto e se vai.

 

Caminha devagar.

Estava ainda tentando acordar.

Para pra poder atravessar.

Seus olhos fecham...

 

Ao abrir seus olhos

Enxerga um mundo novo.

Escuta música...

O som da buzina...

 

E se vai com a multidão para o outro lado.

Quando de repente, o silêncio toma conta do lugar.

Olhos fixos em seu caminhar.

Coração pulsando quebra o silêncio.

 

Olha para os lados e nada consegue ver.

Tropeça no vento e cai...

Em uma poça de lama.

Seu vestido, amarelo, agora estava marrom.

 

Prosseguiu, assim mesmo no seu trajeto.

Tinha de chegar.

Tinha de estar...

 

Chegou atrasada,

Havia poucas pessoas.

Nem todas ela conhecia.

Havia uma menina, uns 10 anos,

Não parava de chorar.

 

Ninguém ia consolar.

Todos olhavam assustados.

Alguns lamentavam.

Outros só se perguntavam: Por quê?

 

Segurou sua mão,

Deu lhe um beijo em sua face.

Disse Adeus...

E se foi...

 

A menina ficou até o fim.

Lhe abraçou e se foi...

Chorava muito...

 

Tudo como tinha de ser.

Como antes havia escrito no papel.

Fechou os olhos e voltou a dormir.

terça-feira, 2 de setembro de 2025

 

Felicidade

                                      Marco Roberto Junior

 

 

 

Caminha ela por entre as oliveiras.

Seu perfume se confunde no ambiente.

Estás feliz, como se fosse criança.

Pulos de alegria, Vida...

 

Cai sobre ela, uma chuva de roas brancas.

Molham seus lindos cabelos pretos.

Seu vestido amarelo, está cheio de folhas.

Canta alto pra expressar sua Vida.

 

Felicidade...

Sonho de criança...

Finalmente conseguiu realizar.

Muitos desejam riquezas,

Ela só queria Vida!

 

O piano, ao fundo,

Ela não parava de cantar.

Cada passo que dava,

Era uma razão para cantar.

 

A música se repetia sem parar.

Tudo que lhe fazia sofrer,

Se foi...

 

Gritou...

Chorou...

Sorriu...

Cantou...

 

Era a tradução da felicidade.

Era só olhar ela e ver.

Tinha Vida!

domingo, 31 de agosto de 2025

 

Amanheceu!

                                           Marco Roberto Junior

 

 

 

Amanheceu!

O Sol escondido está,

Nuvens pairam o céu.

Calmo está meu coração...

 

Segurando a sua mão irei,

Por entre espinhos,

Que meu corpo cisma em rasgar.

Sangra Minh’alma...

 

Dói...

Uma dor que o cérebro tenta suportar.

Chove...

Choro...

 

O relógio marcou 12 horas.

Seria 00:00 horas,

Ou meio dia?

Quem saberá?

 

Lamento o dia ao qual fui concebido.

Peço ao Senhor, para tudo acabar.

Estou sangrando em lágrimas....

Esperando o trem passar.

 

Fecho os olhos pra nada ver.

Meus fantasmas cismam de me atormentar.

Queria paz...

Começo a cantar...

 

O chão treme no Japão.

Bala perdida atinge a criança que estava a mamar.

Desespero e agonia,

Juntos em uma sinfonia.

 

Em meio a tormenta da existência,

Apareço para que me vejam.

Sorrio, exercício difícil, mas necessário,

Para que achem que prossigo na vontade de viver.

 

Meu caixão, ninguém carregará.

Meu corpo ficará estirado no chão.

Os abutres não virão me comer.

Os vermes não vão aparecer.

 

Maldito dia ao qual

Fizeram sexo.

Podiam ter usado camisinha,

Anticoncepcional...

 

Estorvo fui...

E Prossigo a ser.

A Morte me evita.

A Vida me atura.

 

Sangra minh´alma...

Dói minha mente.

Começo a cantar...

 

 

terça-feira, 26 de agosto de 2025

 

Caminho

                         Marco Roberto Junior

 

 

 

 

Lamurias de uma vida perdida,

Mente confusa.

Alma sofrida.

Morte...

 

O caminho demorado,

O calçado não aguenta o caminhar.

Os pés pedem descanso.

Não se pode parar...

 

O chicote está pronto pra açoitar.

Sempre em frente,

A dor guia o caminho a seguir.

Os pés sangram...

 

O Sol não dá descanso.

O chão quente faz criar bolhas nos pés.

A dor é imensa,

Mas é obrigado a prosseguir...

 

A dor é tanta que sente vontade de gritar,

Mas não pode transparecer.

Fica em silêncio e prossegue o seu caminhar.

Caminho longo que nunca consegue chegar...

 

Havia um buraco no meio da estrada,

Caiu...

Pode finalmente parar.

Pode enfim chorar...

 

Não havia quem, do buraco,

Lhe pudesse tirar.

Encerrou seu caminhar.

Passou dias e não saiu de lá...

 

Fome e sede,

Dor, muita dor...

O fim estava próximo.

 

Consegue sair do buraco,

Prossegue o seu caminhar.

Chega no fim da estrada.

Fim não há...

 

Eternamente terá de caminhar...

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

 

Choveu

                                                 Marco Roberto Junior

 

 

 

 

 

Choveu...

O chão molhado e escorregadio,

Fazia as motos derraparem.

Causou acidente no encruzamento.

 

Molhou os cabelos da Menina,

Que esperava pelo ônibus no ponto.

Seu vestido todo molhado, iria secar em seu corpo.

O ônibus demorou...

 

As Crianças passavam correndo,

Vinham da escola e corriam para evitar se molhar.

A Senhora, que vinha da feira, escorregou no chão molhado e caiu.

A Menina, assistindo tudo,

Foi a socorrer A Senhora.

 

O ônibus passou...

Estava ela, ainda, cuidando da Senhora.

As Crianças, também, pararam a ajudar.

Chovia...

 

A Senhora levantou,

Ficou de pé e prosseguiu seu caminhar.

As Crianças, não mais correram...

 

A Menina prosseguia a molhar seus cabelos na chuva...