“Ninguém”
costumava estar
Marco
Roberto Junior
Estava ali o
tempo todo.
Ninguém nem
se quer olhava.
Todos
olhavam para todos os cantos,
Menos para
onde estava.
Caminhavam
com pressa,
Falavam de
suas vidas vazias.
Se
importavam com o botão da calça rasgada que não fechava.
Com o sapato,
que nem mas existia.
Ignoravam sua
existência.
Não notavam
que ainda estava a respirar.
Passavam do
seu lado,
Mas não paravam
pra lhe olhar.
A fome lhe maltratava.
O frio era
sua companhia.
A solidão,
sua única forma de viver.
Cai ao chão,
Todos ignoram
sua condição,
Pisam por
cima e prosseguem.
Mas falam em
compaixão.
Fingem se
importar com o próximo.
Mas o próximo
é sua sombra.
Começa a
chover,
Começa a
chorar...
Não mais
está quem ninguém sabia que estava.
Todos estranham,
não ter quem ignorar.
Aparece uma
menininha,
E coloca uma
rosa no lugar onde “ninguém” costumava estar.
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