domingo, 28 de setembro de 2025

 

“Ninguém” costumava estar

                             Marco Roberto Junior

 

 

 

 

Estava ali o tempo todo.

Ninguém nem se quer olhava.

Todos olhavam para todos os cantos,

Menos para onde estava.

 

Caminhavam com pressa,

Falavam de suas vidas vazias.

Se importavam com o botão da calça rasgada que não fechava.

Com o sapato, que nem mas existia.

 

Ignoravam sua existência.

Não notavam que ainda estava a respirar.

Passavam do seu lado,

Mas não paravam pra lhe olhar.

 

A fome lhe maltratava.

O frio era sua companhia.

A solidão, sua única forma de viver.

 

Cai ao chão,

Todos ignoram sua condição,

Pisam por cima e prosseguem.

Mas falam em compaixão.

 

Fingem se importar com o próximo.

Mas o próximo é sua sombra.

Começa a chover,

Começa a chorar...

 

Não mais está quem ninguém sabia que estava.

Todos estranham, não ter quem ignorar.

Aparece uma menininha,

E coloca uma rosa no lugar onde “ninguém” costumava estar.

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