Sorriu a Donzela que d’antes chorava.
Gritou a criança que não sabia chorar.
Gemeu a Princesa por seu Príncipe encontrar.
Encerrou o dia o seu maquiar.
Jogado no chão, implorando perdão,
Com o coração na mão ele está.
Está faz um tempo, e ninguém o nota ao passar.
Lástimas de um cotidiano feliz.
Injurias de um dia qualquer.
Sorriu por não poder chorar.
Gritou, pois queria ser notada.
Gemeu de dor devido ao amor.
Findou-se o dia o seu murmurar.
Alegraram as flores,
Os pássaros começaram a cantarolar.
O dia permanecia assim o seu sombreado
De tristeza e dor.
Passou um ônibus que não, parou.
Passou um trem que acidente causou.
A televisão noticiou.
A transmissão cortou.
Permaneceu no chão com o coração na mão
Pedindo perdão e um pouco de atenção.
Magoado está, ninguém o repara ao passar.
Podiam por ele algo fazer.
Preferiram ignorar o ser.
Deitado sobre o chão está.
Estão todos a observar, resolveram
Enfim sua dor admirar.
Choravam em silêncio.
Demasiadamente e sem parar.
Choveu repentinamente,
Todos procuraram se abrigar.
O desespero cresceu.
O triste estado do ego morreu.
Deitado no chão,
Com o coração na mão,
Com um bilhete pedindo perdão...
A televisão não noticiou.
Ninguém poderá o ajudar.
Passam todos agora e não o param de olhar.
Amanheceu mais uma triste manhã.
Os pássaros prosseguem no seu cantar.
As Flores no seu dançar.
Todos estão a viver.
Quem sabe um dia outro irá morrer.
Com o coração na mão
Pedindo perdão.
Pedindo para não mais amar.
Gritou a menina por não conseguir entender.
Por não admitir o seu triste viver.
Embelezou seu jardim.
Respirou para acalmar a alma que iria partir.
Vidas que se encontram com o tempo.
Vidas que o tempo vai distanciar.
Gritos que de longe se pode ouvir.
Findou mais um dia o seu viver.
Morreu com a certeza de retornar.
Foi para o céu a Lua consolar.
Sorriu a Donzela por sofrer.
Gritou a Menina por morrer.
Gemeu a Princesa por seu Príncipe desejar.
Acabou-se o sonho, mais um dia para se chorar.