sábado, 25 de abril de 2009

Cotidiano

Sorriu a Donzela que d’antes chorava.

Gritou a criança que não sabia chorar.

Gemeu a Princesa por seu Príncipe encontrar.

Encerrou o dia o seu maquiar.

 

Jogado no chão, implorando perdão,

Com o coração na mão ele está.

Está faz um tempo, e ninguém o nota ao passar.

Lástimas de um cotidiano feliz.

Injurias de um dia qualquer.

 

Sorriu por não poder chorar.

Gritou, pois queria ser notada.

Gemeu de dor devido ao amor.

Findou-se o dia o seu murmurar.

 

Alegraram as flores,

Os pássaros começaram a cantarolar.

O dia permanecia assim o seu sombreado

De tristeza e dor.

 

Passou um ônibus que não, parou.

Passou um trem que acidente causou.

A televisão noticiou.

A transmissão cortou.

 

Permaneceu no chão com o coração na mão

Pedindo perdão e um pouco de atenção.

Magoado está, ninguém o repara ao passar.

Podiam por ele algo fazer.

Preferiram ignorar o ser.

 

Deitado sobre o chão está.

Estão todos a observar, resolveram

Enfim sua dor admirar.

Choravam em silêncio.

Demasiadamente e sem parar.

 

Choveu repentinamente,

Todos procuraram se abrigar.

O desespero cresceu.

O triste estado do ego morreu.

 

Deitado no chão,

Com o coração na mão,

Com um bilhete pedindo perdão...

 

A televisão não noticiou.

Ninguém poderá o ajudar.

Passam todos agora e não o param de olhar.

Amanheceu mais uma triste manhã.

Os pássaros prosseguem no seu cantar.

As Flores no seu dançar.

Todos estão a viver.

Quem sabe um dia outro irá morrer.

 

Com o coração na mão

Pedindo perdão.

Pedindo para não mais amar.

 

Gritou a menina por não conseguir entender.

Por não admitir o seu triste viver.

Embelezou seu jardim.

Respirou para acalmar a alma que iria partir.

 

Vidas que se encontram com o tempo.

Vidas que o tempo vai distanciar.

 

Gritos que de longe se pode ouvir.

Findou mais um dia o seu viver.

Morreu com a certeza de retornar.

Foi para o céu a Lua consolar.

 

Sorriu a Donzela por sofrer.

Gritou a Menina por morrer.

Gemeu a Princesa por seu Príncipe desejar.

Acabou-se o sonho, mais um dia para se chorar.

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