Seus olhos transmitiam toda a dor que um dia ousou evitar.
Seus lábios não se continham em sua dor amenizar.
Suas mãos tremulas não podiam se conter.
Sua vida deixou de assim ser.
Levou consigo dor...
Tristezas que o tempo fez o favor de castigar.
Choveu naquela tarde de outono...
Seus cabelos molharam, seu rosto escondeu
As lágrimas que de seus olhos desciam.
Era mais um dia na vida de muitos...
Era o último na vida de vários...
Era o dia do qual não esqueceria uma única pessoa.
Passou a menininha e tudo pode acompanhar.
Observava de longe sem nada poder compreender.
O tempo passou, menininha deixou de ser.
Só que seguia sem compreender o que vira.
E em outra tarde de outono, o sol deixou o céu, para
Uma nuvem conta dele tomar.
Caia orvalhos de uma súbita dor que se apossava do local.
Chorou uma criança que por ali passava.
Gritou da esquina uma alma que seu corpo deixava.
Se apoderava uma terrível agonia feliz.
Ironia de um nada com um tudo que não fazia diferença...
Agonizou o anoitecer...
Soluços que de muito longe se pode ouvir.
Um disparo veio pelas tantas da madrugada.
Não mais chovia...
Uma criança que tudo assistia chorava desesperadamente.
Muito apareciam para só observar.
E a menininha que, não mais era, assistia de longe tudo isso.
Lembrou de quando a muito atrás, algo parecido presenciou.
Chorou...
Levou consigo uma agenda cheia de horas marcadas,
Um diário com a sua vida...
No caminho despedaçou ambos,
Deixando pelo caminho sua vida...
O choro da menina podia escutar.
Lembrava toda a noite da sua expressão de dor.
Chorava...
E choveu...
Seus cabelos estavam molhados com a chuva.
Suas mãos trêmulas com o que encontrara ao retornar.
Viu sua vida se desfazer.
Levou consigo uma pequena bagagem de mão...
Levou uma imensa bagagem no coração.
Deixou algo que não podia deixar...
Fez a escolha que a deixaram fazer...
A menina que chorou em desespero cresceu...
A menininha, que não mais era, e a menina se
Reencontraram...
Era parecido o seu olhar...
Fez como lhe fizeram...
Negou o direito que lhe tiraram
De ter uma família...
Em um dia de outono, chovia...
Uma menininha assistia de longe sua mãe se suicidar, após seu pai matar.
Era algo que não se podia compreender.
E com o passar do tempo o mesmo foi acontecer.
Só que a mãe, que era a menininha, não chegou a se suicidar.
E com o passar dos anos, menina e menininha vieram a se reencontrar.
Só que menininha veio a menina, sua filha, enterrar.
E choveu...
Seus cabelos estavam molhados...
Seu rosto todo encharcado de dor...
Era uma tarde de outono...
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