quinta-feira, 14 de agosto de 2025

 

Prossigo vivo!

                                                       Marco Roberto Junior

 

 

 

 

Dói...

Choro em desespero, pelo fato de ser.

Asquerosa vida, que insiste em prosseguir.

Nada adianta, permaneço aqui.

 

Joguei ao universo o meu Adeus.

Fui para não mais voltar.

Voltei...

 

Desistir de prosseguir.

Nada me encanta.

O olhar carente d´aquela que me olha,

Não me compraz.

 

“Chuto o balde”.

Jogo tudo fora.

Me isolo em nenhum lugar.

Lágrimas já não mais há.

 

Sangue prossegue a circular

Em minhas veias.

Coração em ritmo acelerado persiste em pulsar.

Anseio demasiadamente a partida.

 

Consigo dormir...

O Sol desponta no horizonte.

A bailarina começa a dançar.

A flor a despontar.

 

O bebê chora,

O sinal fecha.

O pedestre atende o celular e esquece de atravessar.

A velinha cai ao chão.

O gari não aparece pra varrer a rua.

 

O jornal não passou na TV.

A internet perdeu a conexão.

Os telefones não tem mais sinal.

Os condutores de elétrons livres,

espalhados estão sobre o chão.

 

O caos se eternizou.

Ninguém sabe pra onde ir.

Começa a chover...

 

Brota um sorriso em meus lábios.

A certeza que partida é breve.

Posso ouvir a voz a me chamar.

 

Vejo quem não me deixou partir.

Contemplo a sua presença.

Coração aflito,

Seguro sua mão e volto a caminhar.

 

Veio a Lua,

O orvalho começa a cair.

Há um arco-íris na janela.

Posso ver minha feição mudar.

 

A criança parou de brincar e foi se deitar.

Os morcegos começaram, seu alimento procurar.

A preguiça parou a rodovia.

O caminhão enguiçou.

A compra não chegou.

O vulcão entrou em erupção.

 

O vizinho morreu...

 

E aminha jornada persiste.

Prossigo vivo!

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