Prossigo
vivo!
Marco
Roberto Junior
Dói...
Choro em desespero, pelo fato de ser.
Asquerosa vida, que insiste em prosseguir.
Nada adianta, permaneço aqui.
Joguei ao universo o meu Adeus.
Fui para não mais voltar.
Voltei...
Desistir de prosseguir.
Nada me encanta.
O olhar carente d´aquela que me olha,
Não me compraz.
“Chuto o balde”.
Jogo tudo fora.
Me isolo em nenhum lugar.
Lágrimas já não mais há.
Sangue prossegue a circular
Em minhas veias.
Coração em ritmo acelerado persiste em pulsar.
Anseio demasiadamente a partida.
Consigo dormir...
O Sol desponta no horizonte.
A bailarina começa a dançar.
A flor a despontar.
O bebê chora,
O sinal fecha.
O pedestre atende o celular e esquece de atravessar.
A velinha cai ao chão.
O gari não aparece pra varrer a rua.
O jornal não passou na TV.
A internet perdeu a conexão.
Os telefones não tem mais sinal.
Os condutores de elétrons livres,
espalhados estão sobre o chão.
O caos se eternizou.
Ninguém sabe pra onde ir.
Começa a chover...
Brota um sorriso em meus lábios.
A certeza que partida é breve.
Posso ouvir a voz a me chamar.
Vejo quem não me deixou partir.
Contemplo a sua presença.
Coração aflito,
Seguro sua mão e volto a caminhar.
Veio a Lua,
O orvalho começa a cair.
Há um arco-íris na janela.
Posso ver minha feição mudar.
A criança parou de brincar e foi se deitar.
Os morcegos começaram, seu alimento procurar.
A preguiça parou a rodovia.
O caminhão enguiçou.
A compra não chegou.
O vulcão entrou em erupção.
O vizinho morreu...
E aminha jornada persiste.
Prossigo vivo!
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