terça-feira, 13 de abril de 2010

Criança

Chorou a criança por não ver chegar quem tanto esporou ver.
Lamentou uma grande agonia que perduraria por uma vida inteira.
Sentimentos que o tempo conduziria sem se quer se notar.
Ferida que doeria toda vez que fosse cutucada.

E de seus olhos já cansados de tentar entender
O que não havia explicação, saia uma parte de seu ser.
Se desfazia em um desespero que dava dó de se ver.

Não conseguia mais estar com a ferida exposta ao vento.
Cada segundo que se passava ia passando a chance de
Viver...

Chorou a criança com a mão estendida esperando ser amada.
Lacrimejaram os olhos de quem passou.
Doeu os corações amargurados de quem um dia isso também viveu.
Telefone não tocou, resposta que nunca terá.
Lágrimas que resolvera esconder.
Dor que não mais deixou transparecer.

Foi se a infância que a dor levou.
Foi de carona na lágrima derramada.
Foi a vida por inteira em uma tarde chuvosa de verão.

Tentou comprimir sua imensa e lastimável existência.
Implorando amor em um canto qualquer,
Como se nada fosse, continuou assim ser.
E quem desejava ver, sorria de longe da desgraça da pequena criança que
Só queria ser amada como tantas outras são.

Mendigou amor e recebeu dor.
Tentou sobreviver...

Chorou a criança...

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