quinta-feira, 25 de setembro de 2025

 

Anoiteceu!

                                                                                    Marco Roberto Junior

 

 

 

 

Anoiteceu!

A Lua estava linda a observar...

A Menina chorava sem parar.

A água jorrando até o balde encher.

 

Ouvia-se de longe uma melodia.

Essa canção falava amor.

De dor.

De só mais uma pessoa que estava a viver.

 

Fechou os olhos,

Pode enfim orar.

Desligou-se do mundo exterior.

Era só ela e Deus!

 

Pisou na poça.

Molhou os sapatos.

Tinha água nos pés.

Começou a ventar...

 

Vagalumes iluminavam o caminho.

Carros transitavam sem parar.

Todos tinham medo do desconhecido.

Prosseguia ela, firme, no seu orar.

 

Seus cabelos começam a mexer.

Alguém está a lhe tocar.

Prossegue de olhos fechados.

Volta a chorar...

 

Escuta uma voz a lhe falar...

Lá do alto, prossegue a Lua

Tudo assistir.

Parou seu caminhar,

tirou o sapato, para os pés tentar secar.

 

Passa um tempo...

Abre os olhos e pode contemplar...

A vida que lhe era ofertada.

A morte que lhe deixava.

 

Seca mais ou menos os pés e volta a caminhar.

A Lua chora...

Começa a chover...

Não há onde se abrigar.

 

Agora tem Vida!

Pode enfim respirar...

Sabe que alguém lhe quer bem,

Que existe quem sempre irá lhe amar.

 

Caminhos se cruzam,

Tempos se vão.

As mãos podem se encontrar,

Ou não.

 

Agora dorme, tem Vida pra viver.

Mesmo com os pés, meio molhado,

Continua o caminhar.

Mesmo com as adversidades, persiste na chegada.

 

 

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

 

Acordei!

                Marco Roberto Junior

 

 

 

 

Acordei!

Mais um dia pra se respirar.

Ingerir nos pulões esse ar poluído.

Me intoxicar com a Vida.

 

Pulsa meu coração,

Bombeando sangue para o resto do corpo.

 Sangue contaminado dos produtos químicos postos na comida.

Só mais um dia...

 

Levanto da cama,

Câimbra sinto.

Ossos começam a doer.

Demora, mas fico de pé.

 

E a rotina prossegue.

Abro a geladeira e na da tem.

Água foi cortada a uma semana.

Eletricidade? Pra quê?

 

Sorrisos falsos.

Disfarces de uma vida miserável.

Dói a sola do pé...

Prossigo no caminhar a sorrir e cantar.

 

Sangra o caminho.

Pegadas todos podem ver.

Ninguém há que possa socorrer.

Vida? Pra quê?

 

Todos estão a observar...

Muitos a julgar...

Ninguém pra lhe abraçar...

 

Cai uma lágrima...

Lhe veem ela derramar.

Mas ninguém tem nada com essa dor.

 

Setembro Amarelo!

Posts contra o Suicídio em redes sociais.

Mas prossegue só com a dor.

Não há ninguém a se importar.

 

É nítido em seu olhar.

No seu viver.

Pegadas espalhadas estão.

Sangue de dor.

 

Agora choram...

Seguram sua mão...

Ajudam a lhe carregar...

terça-feira, 9 de setembro de 2025

 

Vida...

                        Marco Roberto Junior

 

 

 

 

 

Seu sorriso clareou o ambiente.

Por onde ela passava, uma Rosa Branca botava.

Havia vida onde ela estava.

Sua alegria fazia o cadáver gargalhar.

 

Sua tristeza escondida,

Ninguém ousou ver.

A Lua era testemunha...

Sorria sempre para afastar a escuridão.

 

Seu trajeto era mais belo.

Todos queriam com ela estar.

Todos a queriam abraçar.

Sua beleza trazia paz...

 

Sua presença dava vontade de viver.

Era uma felicidade tamanha, que não se podia explicar.

Rodava ela até tonta ficar.

Brincadeira de criança?

 

Seu olhar brilhava de um jeito diferente.

Todos desejavam sua presença.

Coração, só fazia sentido pulsar se ela estivesse no recinto.

 

E começou a dançar....

Caia sobre ela, o orvalho da madrugada.

Seus cabelos ficaram molhados.

Era a vida que se almejava ter.

 

E de repente, apagaram-se as luzes.

O ambiente ficou escuro.

Começou-se a ouvir uma música,

Era ela cantarolando.

 

E voltou a iluminação,

Somente no local onde ela estava.

Em meios as trevas, só de podia ver e ouvi-la.

A Vida voltou...

 

O morto ressuscitou,

O paralitico começou a caminhar.

O doente são ficou.

Ninguém parava de, pra ela olhar.

 

Bateu um vento,

Seus cabelos balançaram.

Seu vestido mexeu na bainha.

Prosseguia a dançar.

 

Vida...

 

 

sábado, 6 de setembro de 2025

 

Fechou os olhos

                                                                      Marco Roberto Junior

 

 

 

 

Toca o despertador às 05:00h,

Levanta ela.

Escova os dentes e vai tomar banho.

Pega seu vestido amarelo, seu sapato preto e se vai.

 

Caminha devagar.

Estava ainda tentando acordar.

Para pra poder atravessar.

Seus olhos fecham...

 

Ao abrir seus olhos

Enxerga um mundo novo.

Escuta música...

O som da buzina...

 

E se vai com a multidão para o outro lado.

Quando de repente, o silêncio toma conta do lugar.

Olhos fixos em seu caminhar.

Coração pulsando quebra o silêncio.

 

Olha para os lados e nada consegue ver.

Tropeça no vento e cai...

Em uma poça de lama.

Seu vestido, amarelo, agora estava marrom.

 

Prosseguiu, assim mesmo no seu trajeto.

Tinha de chegar.

Tinha de estar...

 

Chegou atrasada,

Havia poucas pessoas.

Nem todas ela conhecia.

Havia uma menina, uns 10 anos,

Não parava de chorar.

 

Ninguém ia consolar.

Todos olhavam assustados.

Alguns lamentavam.

Outros só se perguntavam: Por quê?

 

Segurou sua mão,

Deu lhe um beijo em sua face.

Disse Adeus...

E se foi...

 

A menina ficou até o fim.

Lhe abraçou e se foi...

Chorava muito...

 

Tudo como tinha de ser.

Como antes havia escrito no papel.

Fechou os olhos e voltou a dormir.

terça-feira, 2 de setembro de 2025

 

Felicidade

                                      Marco Roberto Junior

 

 

 

Caminha ela por entre as oliveiras.

Seu perfume se confunde no ambiente.

Estás feliz, como se fosse criança.

Pulos de alegria, Vida...

 

Cai sobre ela, uma chuva de roas brancas.

Molham seus lindos cabelos pretos.

Seu vestido amarelo, está cheio de folhas.

Canta alto pra expressar sua Vida.

 

Felicidade...

Sonho de criança...

Finalmente conseguiu realizar.

Muitos desejam riquezas,

Ela só queria Vida!

 

O piano, ao fundo,

Ela não parava de cantar.

Cada passo que dava,

Era uma razão para cantar.

 

A música se repetia sem parar.

Tudo que lhe fazia sofrer,

Se foi...

 

Gritou...

Chorou...

Sorriu...

Cantou...

 

Era a tradução da felicidade.

Era só olhar ela e ver.

Tinha Vida!

domingo, 31 de agosto de 2025

 

Amanheceu!

                                           Marco Roberto Junior

 

 

 

Amanheceu!

O Sol escondido está,

Nuvens pairam o céu.

Calmo está meu coração...

 

Segurando a sua mão irei,

Por entre espinhos,

Que meu corpo cisma em rasgar.

Sangra Minh’alma...

 

Dói...

Uma dor que o cérebro tenta suportar.

Chove...

Choro...

 

O relógio marcou 12 horas.

Seria 00:00 horas,

Ou meio dia?

Quem saberá?

 

Lamento o dia ao qual fui concebido.

Peço ao Senhor, para tudo acabar.

Estou sangrando em lágrimas....

Esperando o trem passar.

 

Fecho os olhos pra nada ver.

Meus fantasmas cismam de me atormentar.

Queria paz...

Começo a cantar...

 

O chão treme no Japão.

Bala perdida atinge a criança que estava a mamar.

Desespero e agonia,

Juntos em uma sinfonia.

 

Em meio a tormenta da existência,

Apareço para que me vejam.

Sorrio, exercício difícil, mas necessário,

Para que achem que prossigo na vontade de viver.

 

Meu caixão, ninguém carregará.

Meu corpo ficará estirado no chão.

Os abutres não virão me comer.

Os vermes não vão aparecer.

 

Maldito dia ao qual

Fizeram sexo.

Podiam ter usado camisinha,

Anticoncepcional...

 

Estorvo fui...

E Prossigo a ser.

A Morte me evita.

A Vida me atura.

 

Sangra minh´alma...

Dói minha mente.

Começo a cantar...

 

 

terça-feira, 26 de agosto de 2025

 

Caminho

                         Marco Roberto Junior

 

 

 

 

Lamurias de uma vida perdida,

Mente confusa.

Alma sofrida.

Morte...

 

O caminho demorado,

O calçado não aguenta o caminhar.

Os pés pedem descanso.

Não se pode parar...

 

O chicote está pronto pra açoitar.

Sempre em frente,

A dor guia o caminho a seguir.

Os pés sangram...

 

O Sol não dá descanso.

O chão quente faz criar bolhas nos pés.

A dor é imensa,

Mas é obrigado a prosseguir...

 

A dor é tanta que sente vontade de gritar,

Mas não pode transparecer.

Fica em silêncio e prossegue o seu caminhar.

Caminho longo que nunca consegue chegar...

 

Havia um buraco no meio da estrada,

Caiu...

Pode finalmente parar.

Pode enfim chorar...

 

Não havia quem, do buraco,

Lhe pudesse tirar.

Encerrou seu caminhar.

Passou dias e não saiu de lá...

 

Fome e sede,

Dor, muita dor...

O fim estava próximo.

 

Consegue sair do buraco,

Prossegue o seu caminhar.

Chega no fim da estrada.

Fim não há...

 

Eternamente terá de caminhar...

segunda-feira, 25 de agosto de 2025

 

Choveu

                                                 Marco Roberto Junior

 

 

 

 

 

Choveu...

O chão molhado e escorregadio,

Fazia as motos derraparem.

Causou acidente no encruzamento.

 

Molhou os cabelos da Menina,

Que esperava pelo ônibus no ponto.

Seu vestido todo molhado, iria secar em seu corpo.

O ônibus demorou...

 

As Crianças passavam correndo,

Vinham da escola e corriam para evitar se molhar.

A Senhora, que vinha da feira, escorregou no chão molhado e caiu.

A Menina, assistindo tudo,

Foi a socorrer A Senhora.

 

O ônibus passou...

Estava ela, ainda, cuidando da Senhora.

As Crianças, também, pararam a ajudar.

Chovia...

 

A Senhora levantou,

Ficou de pé e prosseguiu seu caminhar.

As Crianças, não mais correram...

 

A Menina prosseguia a molhar seus cabelos na chuva...

 

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

 

Vestido

                         Marco Roberto Junior

 

 

Primeiro vem a menininha,

Com seu vestido rosa,

Sandalhas brancas.

A atirar rosas pelo chão.

 

Após, vem ela...

Toda encantadora,

Com seu vestido, que sonhara aos 10 anos.

Caminhava lentamente,

Respirava calmamente.

 

Ia passo a passo, até i destino.

Todos estavam de pé para vê-la passar.

Uns tiravam foto,

Outros gravavam.

Todos queriam guardar esse momento único.

 

A Música tocava de acordo com soar

Dos anjos que lhe acompanhava.

Encerrou-se o caminho.

Chegou onde tinha que chegar.

 

A luz se voltou toda pra ela.

Lágrimas em quem assistia.

Todos podiam ver a vitória.

 

Ela disse baixinho, sim.

Ninguém ouviu, ela berrou:

SIM!

 

E se foi de mão dadas.

Todos a acompanhavam.

Todos iriam festejar.

 

Uma nova vida,

Uma nova história.

Um novo começo.

Uma nova Família.

 

Tudo perfeito,

Todos foram lhe abraçar.

Seguraram em sua mão.

Lhe beijaram o rosto.

 

Se foram ...

Ela permaneceu lá...

Com seu vestido,

O qual sonhara desde os 10 anos...

 

 

terça-feira, 19 de agosto de 2025

 

Estás ela a descansar

                                                   Marco Roberto Junior

 

 

 

 

Estás ela a brincar, com sua rosa que acabara de ganhar.

Despedaçando a coitada.

Balançando em um encantado som,

Melodia composta por notas que soam paz.

 

Tira a sandalha pra poder caminhar sobre a areia.

Molhar os pés no mar.

E acabou molhando a barra do vestido.

Vestido esse que foi presente de sua Vó.

 

Pulou...

Correu...

Caiu...

Levantou...

 

E foi assim por toda a tarde.

Ao chegar o anoitecer,

Foi-se para poder descansar.

Para poder no dia seguinte, uma nova oportunidade viver.

 

Seus cabelos estavam alvoroçados.

Não queria, banho tomar.

Queria só comida e cama.

 

Sonhe um sonho bom.

Esconda seus medos.

Transpareça felicidade.

Agora que apagou-se as luzes, pode chorar...

 

Brincava ela sem parar.

Estás agora a descansar...