segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Chovia
Marco Roberto Junior







Chovia...
Deu pra ouvir o som do grito.
Chorava...
Lágrimas se confundiam com a chuva
Que o rosto molhava.

Foi um tiro só...
A despedida doía,
Doía o fato de saber que não estaria
Mais aqui quem tinha muito
O que lutar.

Foi para um lugar desconhecido.
Um local sombrio.
A morte veio, sentou e o levou.
Levou para nunca mais...

Chovia...
Molhava tudo que podia.
Escondia as lágrimas...
A dor podia ser disfarçada.

E por um segundo a mais,
Respirou...
Teve mais um segundo de vida,
Podia seu rumo mudar.

A morte veio, sentou e levou
Para um nunca mais.
Nunca mais ver,
Nunca mais respirar.


Chovia...

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Hoje
Marco Roberto Junior





Hoje, só por hoje,
Me deixa deitar sem ter de levantar.
Chutar o balde, pra ver aonde cai.
Pular a linha, pra ver se ela corta.

Sentado no chão.
Com com um caco de vidro na mão.
Sangue escorrendo e pingando.
Faço um desenho.

E as horas passam,
Telefone toca.
Fico conversando até a bateria acabar.
Descubro que o céu está nublado.
Que pode chover.

E o dia passa, no tempo
Que tem que passar.
A noite chega.
Com ela a solidão.

Solidão que se sente
todos os dias.
Telefone voltou a tocar.
Volto a conversar.

Bateria estava fraca,
Não deu pra demorar.
Caco de vidro na mão.
Sangue jorrando pelo chão.

Dor que nem sente mais.
Lágrimas que secaram com o tempo.
Coração que parou de pulsar.
Sangue que parou de jorrar.

Celular voltou a tocar.
Não havia quem atendesse.
Não havia com quem conversar.
Bateria estava cheia.


E o sangue jorrado ao chão.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Caminhou devagar
Marco Roberto Junior





Estava linda vestida de branco.
Caminhava lentamente para todos
A observarem passar.
Estava ela linda em seu caminhar.

Flores espalhadas pelo chão.
E uma melodia que soava suavemente.
Ia caminhando rumo a felicidade.
Rumo a uma nova vida.

E ao chegar ao seu destino,
Disse sim!
Uma lágrima escorreu de seu olhar.
Um sorriso brotou de seus lábios.

Segurou na mão.
Apertou bem forte.
Encostou a cabeça no peito.
Disse baixinho
Eu te amo!

E a cerimonia foi se encerrando.
E pode enfim gritar
Eu te amo!
Pode beijar.

E caminhou devagar.
Tiraram foto pra registar.
Deram parabéns,
Desejaram felicidades.

E seguiram de mãos dadas rumo
A uma vida nova.
Vida que iriam construir.

Caminhou devagar....


terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Minha vida mudou
Marco Roberto Junior




Minha vida mudou no instante
Em que lhe vi.
A razão deixou de ser.
Eu me vi parado olhando você.

Levantei lentamente,
DJ tocou a musica que pedi pra tocar.
Segurei em sua mão e pedi pra dançar.
Ouvi um não...

A musica parou.
Todos começaram a me olhar.
Eu não sabia o que fazer.
Gritei seu nome e disse
Eu te amo!

Fiquei parado no meio do salão.
Fechei meus olhos pra poder chorar.
Senti suas mãos a me tocar.
Me virei, coração acelerou.
Vivi...

Segurei em suas mãos,
Senti o suor do nervoso.
Me aproximei,
Lhe beijei.

Casamos...
Temos dois filhos.
Um está de cama.
Não iremos comemorar
O aniversário de namoro.

E prossigo vivo.
E assim seguirei.
Segurando suas mãos
E sentindo o suor do nervoso.

Parei e gritei

Eu te amo!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Tinha 13 anos
Marco Roberto Junior



Ela tinha 13 anos.
Sua vida era balda, sexo e droga.
Já havia se estragado.
Se prostituía pra comprar drogas.

Aos 12 teve um filho.
Sua vida toda errada,
Vinda de uma família pior.

Seu pai um travesti drogado.
Sua mãe uma prostituta que morava com uma mulher.
Não tenha em casa quem lhe desse carinho.
E encontrou isso nas drogas.

Seu filho foi pra adoção.
Já apanhou muito de machos pra quem dava.
Alguns só em troca de droga.
Já transara com mulher,
Manteve um relacionamento por dois messes,
O tempo em que ela a bancava.

Um belo dia se esbaldou de tanto pó
Com álcool.
Faleceu....
Ninguém se importou.
Foi enterrada como indigente.

Seu nome era Ingride,
Tinha sonhos quando criança.
Mas mataram seus sonhos.
Agora está deitada, vestida,
Sendo devorada por vermes.


Tinha 13 anos

domingo, 8 de janeiro de 2017

Tinha 8 anos
Marco Roberto Junior






Tinha 8 anos,
Chorava como se fosse adulta
Sobre o corpo de sua mãe.
Gritava, mas gritava até que ficou roca.

Sãos mãos ensanguentadas,
Seus cabelos cheios de sangue.
Chorava...
Ninguém conseguia tirar ela de lá.

Seu lindo vestidinho que estava a estrear,
Só tinha sangue nele.
Pelas mãos de quem ela chamou de pai.
Quem deveria dela cuidar...

Dava pena vê-la ali naquele estado.
Muitos tentaram tirar ela de lá,
Todos que tentaram se sujaram de sangue.

Matou a mãe de sua filha e se matou,
Tudo na frente da pequena Clara.
Perdeu a mãe e pai, tudo em uma mesma noite.

Clara viu sua mãe ser assassinada e seu pai tirar a própria vida.
Ela não tinha ninguém.
O que seria de Clara?
Ninguém sabia imaginar,
Pois estavam todos chocados com o que aconteceu.


Tinha 8 anos...

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Camilly
Marco Roberto Junior



Um anjo que foi enviado por Deus.
Um anjo com um sorriso encantador.
Que chorava feito gente grande,
Mas com um coração de criança.


Anjo que muda a vida pela qual passa.
Que faz promessas fazer.
Que faz ficar vivo.
Que ajuda o doente se curar.

Anjo com poder de acalmar,
Poder que só ela tem.
Anjo de beleza única.
Beleza que faz sorrir quem estava a chorar.

Seu nome foi Deus quem deu.
Sua beleza também.
Seu sorriso, as estrelas sentem inveja
De tamanha beleza.

O irracional se torna racional.
As lágrimas secam.
O grito se torna sussurro.
Ela tem esse poder.

Choraste com o fato de existir,
Gritaste com o seu jeito de caminhar.
Mas anjo pode tudo.
Anjo pode, pois tem poder de tudo parar.

Pensa no fim da vida,
Faz promessa para viver.
Mas anjo não morre.
Então por quê?

És um anjo enviado por Deus.
És um anjo que veio pra ajudar.
És um anjo, somente um anjo

Que o amor veio para dar.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Disse Adeus
Marco Roberto Junior






Disse Adeus!
Disse e se foi.
Foi para nunca mais voltar.
Para um lugar onde não sabia onde era.

Se despediu de todos que conhecia.
Em todas as suas redes sociais.
Disse Adeus para um nunca mais.
Estava feliz em partir.

Sua vida iria mudar.
Mudança que muito almejava alcançar.
Sabia que nada poderia levar.
Deixou tudo para quem quisesse pegar.

Disse Adeus!
Se foi para nunca mais voltar.
Para um local desconhecido.
Lugar onde muitos não gostariam de estar.

Sua alma não valia a pena.
Sua vida não tinha sentido de ser.
Se foi para o nada.
Para o que almejava encontrar.

E o amor de sua vida,
Segurou em sua mão
E o conduziu até o novo lar.

Disse Adeus!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Mãos cheias de sangue
Marco Roberto Junior


Com suas mãos cheias de sangue.
O corpo esquartejado ali na sala.
Era uma cena de filme de terror.
Não tinha necessidade de assim ser.

O tamanho de seu corpo cabia em uma mala.
Não havia necessidade para esquartejar.
Não havia necessidade para matar.

Tinha só sete anos, chorava
Pois não tinha o que comer.
Faziam quatro dias desde a última
Vez que colocara um pedaço de pão no estomago.

Não se sabia o que fazer,
Não tinha de onde comida arranjar.
O jeito foi mata-la antes que a fome a matasse.
Antes que sofresse mais do estava.

Só que seu corpinho cabia em um saco plastico grande.
Não tinha um porque esquartejar.
Mas foi a escolha.
E logo assim que acabou de o corpo ensacar,
Cortou sua própria jugular. Jorrava sangue pra tudo
Que era lugar.

Com suas mãos cheias de sangue,
Sangue de morte.
Que não mais sairiam.
Morreu...

Pelas mãos de sua mãe,
Pela fome,
Pela doença da miséria.
Morreram.





Vestido amarelo
Marco Roberto Junior




Seu sorriso me encanta.
Seus lindo olhos me fizeram ficar apaixonado.
Seu lindo vestido amarelo
Me convida pra dançar.

E em um salão vazio,
Estamos eu e você.
Dois pra lá, dois pra cá.
Dançamos até os pés não aguentarem.

Não era festa,
Nem casamento.
Era um dia qualquer,
Uma terça de um dia comum.

Nos encontramos e começamos a dançar.
Dançar até dizer chega.
Até os pés não mais aguentar.
Era só eu e você.

A musica não havia.
Havia o som dos nossos pés
Desajeitados pelo chão.
Pois ninguém sabia dançar.

E olhando olho no olho
E seu sorriso nos lábios
Dançamos.

A noite se findou,
O Sol no céu apareceu.
Era só mais uma quarta ao qual teríamos de viver.
Só mais um dia que não estaria: eu e você.

E seu vestido amarelo me chamou pra dançar.
Dançamos até os pés não mais aguentar.
Era só eu e você.