Aquele
dia
Marco Roberto Junior
Passou muito tempo
desde aquele dia.
Já choveu, fez sol...
A lua já apareceu e se
escondeu.
A musica já terminou
de tocar.
Os olhos já cansaram
de chorar.
O coração pulsa
devagar.
O sangue já secou,
A ferida fez cicatriz.
A dor não se sente
mais.
Os espinhos do caminho
já penetraram a corrente sanguínea.
A vida já não
importa mais.
Carente de um olhar...
Suspiro para evitar o
silêncio.
Trancou a porta...
impediu de sair quem
nunca entrara.
Olhou fixo por uns
segundos para o vazio.
A musica voltou a
tocar.
A cortina se abriu
novamente...
Tinha a chance de um
segundo ato representar.
As luzes não se
acenderam por completo.
O espetáculo tinha de
continuar.
Sorriso para personagem
viver...
Felicidade que não
havia no ser.
Lamentos que não podia
demonstrar.
Dor que o tempo
aumentará.
Leu a carta...
Silêncio se fez...
Ouviu a musica...
Respirou lentamente...
Soprou um vento...
Era tarde...
Cortina fecharam...
Luzes apagaram...
Dia se foi...
Personagem acabou...
Voltou a chorar...
E o tempo se foi...
Como se podia prever...
A lágrima já não
mais está...
O suspiro se
encerrou...
A lua voltou o céu a
enfeitar...
Segurou na mão...
Pediu perdão...
Prometeu não chorar...
Prendeu os lábio com
força.
Enfim o silêncio pode
reinar...
A dor já não estava
mais lá...
Lágrimas não iria
ter.
Felicidade também não.
E o tempo passou
devagar...
Levou que deveria ir...
Levou para nunca mais
voltar...
A cortina fechou para
não mais se abrir.
Os olhos se fecharam
para não mias sonhar.
Respirou por um segundo
mais.
Lamentos que não mais
terá.
Passou se o tempo...
Passou para não mais
voltar...
Passou...
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