terça-feira, 9 de agosto de 2016

Aquele dia
Marco Roberto Junior



Passou muito tempo desde aquele dia.
Já choveu, fez sol...
A lua já apareceu e se escondeu.
A musica já terminou de tocar.
Os olhos já cansaram de chorar.
O coração pulsa devagar.

O sangue já secou,
A ferida fez cicatriz.
A dor não se sente mais.
Os espinhos do caminho já penetraram a corrente sanguínea.
A vida já não importa mais.

Carente de um olhar...
Suspiro para evitar o silêncio.
Trancou a porta...
impediu de sair quem nunca entrara.
Olhou fixo por uns segundos para o vazio.
A musica voltou a tocar.

A cortina se abriu novamente...
Tinha a chance de um segundo ato representar.
As luzes não se acenderam por completo.
O espetáculo tinha de continuar.

Sorriso para personagem viver...
Felicidade que não havia no ser.
Lamentos que não podia demonstrar.
Dor que o tempo aumentará.

Leu a carta...
Silêncio se fez...
Ouviu a musica...
Respirou lentamente...
Soprou um vento...
Era tarde...
Cortina fecharam...
Luzes apagaram...
Dia se foi...
Personagem acabou...
Voltou a chorar...

E o tempo se foi...
Como se podia prever...
A lágrima já não mais está...
O suspiro se encerrou...
A lua voltou o céu a enfeitar...

Segurou na mão...
Pediu perdão...
Prometeu não chorar...
Prendeu os lábio com força.

Enfim o silêncio pode reinar...
A dor já não estava mais lá...
Lágrimas não iria ter.
Felicidade também não.

E o tempo passou devagar...
Levou que deveria ir...
Levou para nunca mais voltar...
A cortina fechou para não mais se abrir.
Os olhos se fecharam para não mias sonhar.
Respirou por um segundo mais.
Lamentos que não mais terá.

Passou se o tempo...
Passou para não mais voltar...
Passou...


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